terça-feira, 28 de maio de 2013

RESENHA DO FILME - SOMOS TÃO JOVENS



Contexto Cultural e Linguagem

RESENHA DO FILME - SOMOS TÃO JOVENS

Agnes E...Lordelo

            Assistindo ao filme Somos tão Jovens do diretor Antonio Carlos da Fontoura vi a minha juventude saltando das telas na dança frenética de Renato Russo. Já não me lembrava mais da cara desta Brasília dos anos 70/80 que tanto contribuiu para a construção da identidade do Rock nacional e com a qual tive oportunidade de conviver durante uma parte de minha adolescência. É um filme envolvente, que conta a trajetória da criação de uma das maiores bandas de Rock que já tocaram no Brasil e mais ainda, é um filme que conta a história de Renato Russo, em plena juventude, o criador do Aborto Elétrico e depois desta incrível Legião Urbana e que mostra sua inquietude constante e contestadora.
            O filme mostra Renato com um jovem culto, tímido, que sofria bullying no colégio onde estudava por causa de seu jeito "esquisitão". Ele era apaixonado por suas ideias e por seus poucos amigos e explode nesta juventude transviada e transmutada, apaixonada pelo punk inglês e inventando seu próprio som, cercada por uma cidade recém-nascida e ainda refém do ranço da ditadura militar. Brasília buscava uma identidade, um espaço para a sua libertação e Renato Russo não permitia que nada se interpusesse entre ele e sua paixão: a música e a liberdade de pensamento.
            Tudo começa com a cena do acidente de bicicleta de Renato Russo mostrando uma das faces desconhecidas do cantor: ele sofria de uma doença grave nos ossos, que o deixava propenso a fraturas constantes e preso a uma vida cheia de restrição, tédio e livros. Mas seu inconformismo político e social encontra eco em alguns amigos e formam então a banda Aborto Elétrico.
Depois de um tempo de desentendimentos constantes com o baterista da banda desfaz o Aborto elétrico e faz uma tentativa de carreira solo para logo depois, por um golpe do destino, emplacar um rock mais amadurecido com a Legião Urbana e seus companheiros, Bonfá e Dado. Neste filme surpreendente ainda somos brindados com uma interpretação primorosa do ator Thiago Mendonça que convence tanto nos diálogos quanto cantando já que consegue cantar com um timbre muito próximo de Renato Russo.  
            Durante todo o filme os diálogos fazem referências a trechos das músicas escritas por Renato Russo e fica difícil não cantarolar todas elas durante o filme. As lembranças (e algumas lágrimas) rolam soltas em muitos dos expectadores. Também faz referencia a suas preferencias e dúvidas sexuais e emocionais entre meninas e meninos e seus problemas com o alcoolismo e drogas.    

            É importante destacar a fotografia da cidade, parada no tempo, vemos nossas quadras limpas, ruas de poucos carros, o bar Beirute com Cícero servindo a mesa (me emocionei pois conheço esse garçom lá do "Beiras" há 23 anos), a arquitetura moderna da cidade, as festinhas e shows dentro das quadras, um Pontão onde antes só havia um pequeno pier caindo aos pedaços e onde a personagem Aninha encontra Renato Russo arrasado e bebendo aos prantos pela morte de John Lennon. Uma época que, sem dúvida, deixa saudades, pela inocência, pela explosão do rock, trás boas e más lembranças, certamente muitas, e serve de alerta para valorizarmos esse nosso tempo de hoje porque todos os dias ,quando acordamos, não temos mais o tempo que passou... 

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