sexta-feira, 7 de junho de 2013

ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO DE PESSOAS SURDAS





TRABALHO DE ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO DE PESSOAS SURDAS
ou
SER INTÉRPRETE É AMAR AO PRÓXIMO, SURDO OU OUVINTE, COMO A SI MESMO.

INTRODUÇÃO 

Através deste estudo vamos apresentar o trabalho desenvolvido pelo Instituto Nossa Senhora do Brasil de assistência à comunidade surda de Brasília. 
O INOSEB oferece à comunidade de deficientes auditivos, composta por crianças e adolescentes, jovens e adultos, das camadas populares do Distrito Federal, formação cidadã com conteúdos voltados à inclusão social com vistas ao fortalecimento do protagonismo dos mesmos em grande medida a emancipação do círculo de pobreza vivenciado por várias gerações. Oferece ainda, instrumentos e dispositivos para conhecer, compreender, e intervir na realidade de forma individual e coletiva, assumindo os espaços sociais de participação e controle social, promoção do acesso a bens culturais e sociais, a valorização da cultura local.
Os projetos se dão na forma de assessoramento e garantia de direitos, através de cursos e atividades coletivas, com a participação de parceiros em potencial. Desenvolve projetos no intuito de estabelecer o espírito de troca necessária para uma consciência voltada para a autonomia do sujeito de direito. O olhar do facilitador de cada atividade procura possibilitar a aproximação dos deficientes auditivos com a realidade do Distrito Federal e adjacências, bem como para o cenário nacional.
Nesse sentindo, a entidade ao longo de sua atuação, vem estabelecendo parcerias e articulações com as redes socioassistenciais e socioeducacionais locais para potencialização e ampliação de participação dos sujeitos de direito nos projetos em questão.
Em censo realizado em 2010 registrou-se no Distrito Federal uma população de 2.570.160 habitantes sendo que em amostragem relativa a quantidade de pessoas com deficiência auditiva constatou-se que 104.825 apresentam desde alguma dificuldade auditiva até a total surdez. Também podemos constatar que existem mais mulheres surdas que homens surdos na zona urbana e mais homens surdos que mulheres surdas na zona rural. 

METODOLOGIA

Foi feita uma pesquisa na internet a procura por institutos, colégios e entidades que atendessem pessoas com deficiência auditiva (surdez) e desta maneira entrei em contato com o Instituto Nossa Senhora do Brasil que se localiza na SEPS, entrequadras 714/914 Sul - Asa Sul – Brasília - DF. Através do site do Instituto pude conhecer os objetivos e o perfil desta entidade sem fins lucrativos e por telefone agendamos entrevista com uma das Irmãs que são responsáveis pelo atendimento aos surdos do Instituto.
Marcada para o dia 06/06/2013 a entrevista foi concedida por Irmã Maria, responsável pela parte administrativa da Instituição e com grande prazer obtivemos diretamente e através dela informações relevantes para enriquecer o conteúdo desta atividade.
Através da internet tive acesso às informações do IBGE e alguns artigos jornalísticos a respeito da quantidade de surdos no Distrito Federal. 





RESULTADOS

Nome da instituição: 

Instituto Nossa Senhora do Brasil é uma Filial do Instituto Santa Terezinha das Irmãs Calvarianas. Através do instituto Santa Terezinha, que foi pioneiro no trabalho com surdos no Brasil, procurou-se expandir o atendimento aos surdos e foi criado assim o Instituto Nossa Senhora do Brasil.
O Monsenhor Vicente de Paulo Penido Burnier, o primeiro padre surdo da América Latina e do Brasil, e segundo do mundo, indicou a vinda para Brasília já que, na época de sua criação, a nova capital não contava com nenhum tipo de assistência para pessoas com esse tipo de deficiência. 
Ele se destacou por fundar 18 pastorais dos surdos no Brasil e três pastorais fora do país.
O que faz a instituição? 

Dá assistência social aos surdos mas não educacional, não possui uma escola de surdos (somente no Rio e em São Paulo). No início haviam internas surdas, que estudavam em escolas regulares. As irmãs faziam a simulação da fala, oralização. Mas depois o processo se transformou pois perceberam que o caminha de oralização não seria o correto, surgindo o projeto de acesso total e de ensino e uso de Libras.
As irmãs fizeram parceria no CEAL.
Irmã Helena e Irmã Iolanda foram as pioneiras do INOSEB. Irmã Helena é conhecida por conseguir ensinar o surdo a falar e escrever com imensa facilidade sendo que mesmo com idade avançada ainda exerce atividade como professora de crianças surdas no INOSEB. 
O reforço escolar que era oferecido pela instituição não pôde mais acontecer pois os estudantes surdos eram obrigados a ir à rede pública para ter este acompanhamento então o INOSEB tirou o foco no reforço e passou a atuar em uma área mais social.
Começou uma pastoral de surdos em 1982. Os surdos ficavam no CEAL(orientados por padres pavonianos) mas após algum tempo ficavam sem atividades mas não tinham mais referencia ao terminar os estudos lá e então foi criado o crisma no INOSEB e com ela a catequese. 

Quem são os participantes (público)? Qual nível de surdes predominante? 

Os participantes são surdos, surdos cegos e a maioria em grau de surdez profunda. Também atendem aos familiares dos surdos.
Um dos grandes problemas é o sentimento de exclusão ou dificuldade de relacionamento dos surdos na própria família . Algumas famílias que superprotegem, outras que abandonam e os que assumem de uma maneira mais lúcida e madura são raros.
Buscam dar essa assistência familiar e o fato de serem religiosas ajuda a serem mais aceitas e ouvidas.
Tinham uma parceria com a FENEIS (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos) para ensinar Libras., os horários não abrangiam a demanda e foi criado um curso em horário alternativo aos sábados. Enfrentam dificuldade em encontrar profissionais para atender aos surdos como pedagogos, psicólogos, etc, pois precisam de pessoas que saibam Libras para estabelecer contato com os surdos. Irmã Maria destaca ainda que no aprendizado de Libras entra muito a questão emocional pois o intérprete deve ser tocado pelo lado afetivo e se coloca no lugar do surdo, se envolver. 





Quantos surdos frequentam esse espaço ou Instituição?

Por sábado são 80 a 100 surdos, mas só sabem dizer mesmo a quantidade em dias de festa quando aparecem muitos surdos “sumidos” para festejar e comemorar. Tem 300 surdos, em média, que são atendidos diretamente. O surdo é difícil de ser cadastrado pois não sabe endereço, telefones. Alguns surdos sabem libras, mas eles esquecem muito das coisas e a assistente social não sabem Libras o que obrigada as estagiarias a aprenderem Libras para ajudar. Irmã Helena não sabe libras, mas ela se faz entender e também ajuda neste atendimento, dentro do possível. 

Qual trabalho desenvolvido para acolher e incluir os surdos? 

Existem pelo menos 10 projetos na instituição de inclusão, garantia de direitos, valores, ética etc.
Entre eles podemos citar:
  • Projeto de encaminhamento ao mercado de trabalho: ajudar a fazer um currículo, preparam um mural de empregos, dá formação na área profissional, cursos internos e externos.
  • Projeto do centro de convivência: Palestras de formação para famílias surdas ou casais ou ouvintes que estão se relacionando com surdos nos sábados à noite. 
  • Projeto de valores: A instituição é a casa deles e como um lar existe um grupo de voluntários que trabalha valores éticos e morais para uma boa convivência entre eles próprios e entre eles e a sociedade em geral.
  • Projeto da alimentação quando surdos carentes que vem almoçam e voltam para escola.
  • Projeto de inclusão digital e este professor em mantido por doações. 
  • Projeto de apoio a gestante surda carente, enxoval feito para as crianças. Fazem o pre natal mas nos postos de saúde não é dada orientação adequada a gestante surda. 
  • Projeto do curso de fotografia para surdos que também é voluntário. 
  • Projeto de formação de lideranças surdas, aproveitam surdos que já são líderes e fazem catequese para repassar o conhecimento. 
  • Projeto de formação de interpretes: são voluntários, trabalhando a motivação para servir o surdo e aprofundar o conhecimento de Libras. 
A entidade foi pioneira com trabalho com surdos e assim a procura por assistência é grande pois ela é uma referência. Os responsáveis escutam e dão orientação: algumas pessoas vão ser atendidas pela entidade outras são orientadas para procurarem assistência em outros lugares mais adequados. 
O CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) obriga o atendimento a todos que chegam a procura de ajuda e orientação mas para Irmã Maria há, antes de tudo, o aspecto do amor ao próximo, de se colocar no lugar do surdo, da missão religiosa que faz com que a Entidade atenda aos surdos com o carinho que merecem. Muitos chegam com intenção de aprender Libras por questões meramente profissionais mas com o tempo há um envolvimento de amor e compaixão.











Se há presença de intérprete? 

Os interpretes são voluntários. Mas nem sempre são necessários. A instituição vive de doações, alugueis das salas, a alguns eventos para arrecadação de dinheiro. Com 44 anos de existência no DF a casa foi construída com doações.
As pessoas doam regularmente e isso dá uma certa segurança financeira (embora eu tenha observado que as instalações são simples e não nenhuma demonstração de ostentação por parte das freiras, antes de tudo elas ostentam muito amor no coração). Entretanto as famílias dos surdos são as que menos ajudam (excetuando durante festejos com arrumação de barracas, doação de alimentos etc) os que mais ajudam são pessoas de fora da comunidade surda mas que tem uma ligação e conhecem o trabalho das irmãs calvarianas. 


Quais as formas que utiliza para comunicação com os surdos? 

Libras na conversa normal mas há os que leem bem e surdos que fazem leitura labial. Assim as irmãs quando se comunicam com os surdos fazem uso de Libras, oralidade e também subtitulos quando necessário. Também usam as redes sociais como o Facebook, mensagens de celular (que tem uma linguagem toda peculiar escrita para surdos) e email. Têm um blog e um site que estão desatualizados. Gostariam que os surdos usassem e alimentassem o blog se tornando cada dia mais protagonistas de sua vida. 

CONCLUSÃO

Através deste estudo tive a oportunidade de conhecer o trabalho das irmãs calvarianas do INOSEB. Maravilhoso e cheio de amor, mostra as dificuldades enfrentadas por essa entidade que conta com pouco apoio financeiro e que ajuda a tantas pessoas surdas.
Concluo que nem sempre o surdo tem consciência de que deve lutar e procurar o máximo possível estudar e se livrar do jugo de sua ignorância e das limitações que são muito mais impostas pela sociedade e por si mesmos do que por sua deficiência. Por isso a importância de entidades com a INOSEB na formação de Interpretes verdadeiramente comprometidos com a comunidade surda e seu desenvolvimento como cidadãos e seres humanos plenos.



FONTES EANEXOS 





PORTA DA FRENTE DO INSTITUTO NOSSA SENHORA DO BRASIL





PORTA DE ENTRADA PARA ÁREA ADMINISTRATIVA DO INOSEB COM UMA MENSAGEM SIMPÁTICA AOS QUE LÁ CHEGAM!

DETALHE DA PORTA – AVISO EM LIBRAS – TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS:
AULA DE LIBRAS – DAS 14 A 17 HORAS AOS SABADOS