segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O ATAQUE EM PARIS E A MORTE DO RIO DOCE: PARALELOS EM UM PLANETA EM CONTAGEM PARA AUTO DESTRUIÇÃO. THERE ARE NO SMALL TRAGEDIES!

NÃO EXISTEM TRAGÉDIAS PEQUENAS OU GRANDES. TRAGÉDIA É TRAGÉDIA. ACHO QUE É POUCO PRODUTIVO FICAR DISCUTINDO QUE UNS LIGARAM MAIS PRA TRAGÉDIA BRASILEIRA (E MUNDIAL) OUTROS PRA TRAGÉDIA FRANCESA (E MUNDIAL). 
Não adianta...cenas de sangue, gente gritando são muito impactantes. Dão IBOPE. Ainda mais se for em Paris, numa sexta feira, com centenas de jovens mortos e feridos. 
Mas a cena de um rio de lama correndo no meio às montanhas, casas destruídas, também é impactante. A imprensa brasileira, no entanto, evita e não costuma fotografar sangue ou gente morta (não sei porque só a imprensa "marrom" faz isso...). 
Fica tudo muito plástico, bonitinho. E foto não fede. E foto de peixe morto não dá IBOPE no Brasil...como só fotografam peixes (uma grande tragédia, se querem saber!), as pessoas vão perdendo o interesse. Não temos a empatia que deveríamos ter pela Mãe Natureza...ela está morrendo, mas quem se importa? A não ser quem está sem água agora, quem está sentindo o cheiro dentro de sua casa, quem gostava de pescar ou banhar-se no Rio Doce...quem morava nas cidades destruídas...
A imprensa para de noticiar...e?
Perdemos contato com esta realidade cruel, perdemos a oportunidade de participar e ajudar e solidarizar com eles, já que não sentimos o cheiro de podre que se estende por kilometros do rio Doce...e não afundamos com eles na lama que tomou conta de tudo. 
Ah...um rio Doce! 
Com este nome certamente a água era boa de beber, haviam peixes ...
O rio Doce era um rio vivo.
Agora é um imenso cadáver, fede e tem a cor apagada (neste caso uma cor de ferrugem)...perdeu o viço, perdeu a cor, perdeu os peixes. 
O rio Doce é nosso imenso cadáver, com vidas perdidas (e nunca mais encontradas, como foram os mortos de Teresópolis), sepultadas por toneladas de lama.
Vidas perdidas sem suas casas, sem suas escolas, sem documentos, sem referências, sem as fotos da família, sem a plantação e as vaquinhas. 
A lama da Vale do Rio Doce levou tudo...
Milhares (dizem que são 500 mil!) pessoas sem água.
E quando haverá o retorno da vida ao rio? Ninguém sabe...ele pode estar morto para sempre e, embora a natureza seja maravilhosa, creio estarmos diante do maior rio morto do Brasil, morto para sempre. 
E nada. Não vemos cadáveres, não vemos sangue, não vemos os feridos. 
Claro, houveram feridos! Não é possível que centenas de pessoas saíssem correndo sem se machucar...ou morrer. 
Aqui no Brasil, a imprensa tapa o sol com a peneira. 
Lá na Europa a imprensa escancara o sangue molhando as ruas, flores ao lado de poças de sangue, pessoas mortas cobertas com lençóis, pedaços de suas vidas jogadasA woman looks at the bodies of shooting victims lying in the streets of Paris' 10th district on Friday night after dozens of people at bars and cafes were gunned down by the ISIS killers no chão...
Não é que sejamos indiferentes a nossos irmãos de Minas. A questão é que a imprensa brasileira acha lindo reproduzir as tragédias mundiais, muito mais "chiques". 
Afinal, um lavrador que perde sua roça e sua casa num mar de lama em Minas não é "nada" comparado a um turista morto num café parisiense por atiradores do Estado Islâmico...
Nada...
Será mesmo?
Não existem tragédias menores ou maiores. 
O que existe é o sofrimento, a dor, a angústia de ter perdido alguem que amamos, nossa paz, nossas casas.
A tragédia é perder um amigo, com um tiro de um maluco terrorista no momento de um grande sorriso e pulos de alegria num show de Rock, ou o amor de nossas vidas quando jantávamos juntinhos num café parisiense...ou a tristeza de ver sua filha, carregada por um mar de lama, afundar e se afogar, tinha 5 anos apenas...uma criança...
A imprensa, no entanto, substitui as tragédias de acordo com sua "importância". 
Agora o que dá Ibope é Paris...mas será só isso?
Não será também nosso governo, perfurado e apodrecido por sacanagens, roubalheiras, parecendo uma amígdala podre cheia de infecções que evita dar vasão as informações sobre a tragédia de Mariana e do Rio Doce? 
Tem muita lama embaixo do nosso tapete. 
E lá fora tem sangue por todo lado...e a terceira guerra? Isso, pelo menos, a imprensa estrangeira não esconde. Os parisienses mostram sua indignação cantando a Marsellesa e nós, quando o Rio começou a morrer, cantamos nosso hino?
Eles declaram guerra ao EI. E nós? Vamos permitir que corporações internacionais acabem com nosso país vendendo nossa natureza por um trocado qualquer? E os nossos mortos? Nosso lindo rio Doce???
Contra quem temos que lutar para termos o direito à vida, também!



E agora? Nossa trágica falta de patriotismo, trágica indiferença à nossa natureza fantástica e abundante (até quando?) trágica falta de lutarmos por nossos direitos, bravamente, de querermos a verdade, mesmo que seja feia e cheire mal. 
Queremos a verdade e ela nos libertará! 
É a triste e provável realidade...As tragédias se multiplicam e se complementam...
O problema é que, enquanto as tragédias eram mais longe de nós, na Siria, por exemplo, não nos sensibilizavamos a ponto de colocarmos bandeiras sírias em nossas fotos no Facebook. Lembram das milhares de pessoas mortas por gas na Síria, a pouco tempo? 
Ou quando vimos tragédias ecológicas como o vazamento de litros e litros de petróleo proximos à costa dos EUA? Lembram? 
Mas quando a tragédia bate à nossa porta...tudo muda... não podemos mais ficar "indiferentes" mas "solidários" ...agora os proximos podemos ser nós...embora aqui vivamos tragédias a anos, com a destruição da Amazônia, contaminação das águas subterrâneas, assassinatos, um transito caótico e mortal, insegurança, crack, morte de crianças por desnutrição, roubalheira generalizada no governo, falta de educação, saúde, segurança...temos tantas tragédias diárias...mas estas não dão Ibope...Então, nos esquecemos delas...até quando vierem cobrar sua conta, na porta de nossas casas!
NO BIG OR SMALL TRAGEDY. TRAGEDY IS TRAGEDY. I THINK IT IS LITTLE TO BE PRODUCTIVE ARGUING THAT SOME They called PRA BRAZILIAN TRAGEDY (E WORLD) OTHER FRENCH PRA TRAGEDY (E WORLD).
No use ... scenes of blood, screaming people are very striking. They give IBOPE. More if it is still in Paris, on a Friday, with hundreds of dead and wounded young.
But the scene of a river of mud running through the mountains, destroyed homes, is also impressive. The Brazilian press, however, avoids and does not usually shoot blood or dead people (do not know why only the press "brown" does it ...).
It is all very plastic, cute. And photo does not stink. And dead fish photo does not IBOPE in Brazil ... just like photographing fish (a great tragedy if you ask me!), People will lose interest. We have no empathy we should have by Mother Nature ... it is dying, but who cares? Unless those who are without water now, who are feeling the smell inside your home, who enjoyed fishing or bathing in the Rio Doce ... who lived in the destroyed cities ...
Thus we missed the opportunity to feel the rotten smell that stretches for kilometers from Rio Doce ... and sink into the mud that washed over her bed.
Ah ... a river Sweet!
With this name certainly the water was good to drink, had fish ...
The Rio Doce was a living river.
Now it is an immense corpse stinks and has erased color (in this case a rust-colored) ... lost vigor, lost color, lost fish.

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